"Minha mente está cheia e eu estou transbordando" [Ira!]
"Acho que mais me imagino do que sou, ou o que sou não cabe no que consigo ser." [Ferreira Gullar]
"Quem fala em flor não diz tudo. Quem fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais." [Ferreira Gullar]


- Não importa se é sem sentido, não importa se é sem significado. O importante é que escrevo e assim alivio. Seja bem-vindo ao meu mundo e voe por meus versos! Dê os devidos créditos e assim terá um mundo inteiro de palavras onde viver. Esse é meu mundo e se quiser fazer parte dele é só me seguir...

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27 de janeiro de 2012

O Coração da Fênix IV



Ainda desnorteada, sai andando sem rumo na noite escura... Mas acontece que eu andava, andava e sempre voltava ao centro! Estava perdida.
Então ouvi um choro, e decidi segui-lo. Acabei encontrando uma garotinha, de pele branca e cabelos negros, sentada numa árvore caída. Ela estava vestida de branco e como estava de costas pra mim, resolvi falar-lhe já que estava muito escuro e tarde para que uma criança estivesse na floresta sozinha.
Perguntei-la:
- Olá, o que uma pequena garotinha como você faz nessa floresta escura, tarde da noite?

A garota virou a cabeça, e eu acabei levando um susto, ela tinha um aspecto tenebroso, seus olhos eram dois buracos negros e seu rosto estava todo dilacerado, costurado como o de uma boneca de filmes de terror. Ela parecia me olhar e me disse com uma voz doce e aguda:

- Eu vim te matar...

Assustada, eu não tive reação e comecei a rir, dizendo que era brincadeira e uma alucinação tudo aquilo, mas os olhos da garota logo se acenderam em chamas e sua voz alterada me disse:

-         Não zombe de mim!
Logo percebi que realmente era verdade, mas então curiosa perguntei:
-         Mas por que você quer me matar? Qual o seu nome? Quem é você?
E ela me disse:
     -      Eu sou aquela que vive na noite, em busca de um corpo para alojar sua alma. Eu sou aquela que teme a vida mas não a morte, eu sou aquela que é destinada a ser a rainha dos condenados a pagar por seus pecados, mas morri muito cedo.. Por minhas próprias mãos, ao saber dessa minha triste sina.. E pra me livrar dela eu tenho que matar, aquele cujo coração bate no ritmo da lapidação do diamante negro... Essa é a sina que carrego... Sou um anjo negro à procura da salvação.. Prazer, meu nome é Lisi.
Então, assustada eu juntei tudo...
A Fênix apenas queria me proteger, proteger a única pessoa capaz de vencer a maldição daquela cidade, aquela cujo poder destruiria o causador de tantos desastres, mas uma coisa não estava certa, Lisi não era aquela pessoa. Ela apenas queria a sua libertação, e não ser a rainha dos condenados...
Então mais uma vez perguntei-a:
-         Sei que não é você que destruirá todo o mundo, e a quem devo derrotar, mas então quem é? Quem abriu aquela fenda no Carvalho? Quem? Responda-me!?!
A garota então, apagou as chamas dos olhos e pareceu assustada, quando perguntei sobre o Carvalho.. Então ela simplesmente disse-me:
-         Fuja! Fuja enquanto pode! Ele é forte demais, ele toma conta de mim.. Fuja! Fuja! Saia daqui. Não entre no Carvalho ou ele te possuirá também! Fuja LILITH!
Eu fiquei sem reação quando ela disse que meu nome era LILITH.. Como ela sabia? Na verdade, todos me chamavam de Lily, já que eu nunca gostei do meu nome... Então, agora entendia, a garotinha, na verdade não se chamava Lisi, e sim, Lilith (a população religiosa havia mudado seu nome para não pronunciar uma adoração à esposa de Lúcifer), quem quer que fosse, confundiu-a comigo! Mas porque teria possuído-a? Por que a teria feito pular da janela? Será que a alma dela não descansaria enquanto eu não me salvasse?
Todas aquelas perguntas me assustavam, e a pequena garotinha ficou lá parada com uma expressão de desespero. E tentando acalma-la disse:
-         Calma! Eu não tenho medo de morrer... Qualquer que seja a maneira.
-         Não! Você não entende! Não é ele que te mata, mas ele te possui, e faz com que você faça o que ele quer. Eu sei disso porque eu matei meus pais, e eu me joguei da janela, quando percebi, estava na frente dele, e ele disse que não era a mim que queria. E que se eu quisesse me salvar, teria que encontrar a Fênix em corpo de mulher. Aquela cujo coração é a chave de todos os mistérios. E eu teria que matar a sua alma e entrar em teu corpo, levando-te aos aposentos do meu...mestre.
Ao terminar de me dizer isto, ela simplesmente desapareceu.
E eu continuei sem entender o que se passava.  Pareceu-me que dias se passaram e eu ainda naquela floresta, vagando sem rumo, o frio já congelava minha face, e eu ouvia vozes que gritavam por meu nome mas a minha voz não saía, eu gritava mas o som permanecia calado. Por que tudo tinha de acontecer comigo? Tudo bem que minha vida nunca fora das mais normais. Entretanto não precisava ser tão exageradamente estranha assim! Tudo começava a se encaixar ao mesmo tempo em que eu me sentia mais perdida, sozinha e desamparada em toda esta história. E agora, o que poderia fazer? Na negra floresta, cercada de demônios, fantasmas, perturbações místicas e minha própria mente me dizendo que não poderia acreditar em tudo aquilo, que seria apenas um sonho.
E se for realmente um sonho, acho que já passou da hora de acordar...


Depois de um tempão prometendo postar a continuação do conto, enfim o post!
Comentários são bem-vindos!

17 de setembro de 2011

Nostalgicamente falando... infância

Sábado a noite, entre uma leitura e outra de anatomia animal, estava eu vendo Hoje é dia de Maria, voltando aos bons tempos da infância, quando me passou pela cabeça este clássico! O Pequeno Príncipe... Tão lindo, inocente e cheio de ensinamentos! Resolvi postar o vídeo aqui, pois, foi uma etapa da minha vida que adoro relembrar! Lembro-me que eu ficava sentada em frente à televisão assistindo os episódios e ficava ansiosa para assistir os próximos. Li o livro tantas vezes que perdi as contas... E todo ano eu o releio, para ver qual o ensinamento tiro desta vez, e a cada ano, uma nova surpresa, uma nova lição.
Lembro-me também do desenho Cavalo de Fogo... Um dos mais lindos.

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
(Saint-Exupery)

11 de fevereiro de 2011

Chove...

Imagem repetida, eu sei.
Chove...
Mas não é só lá fora não, na alma dela também. Dentro há tanta confusão, inconstância e uma pitada de dor azeda pela alegria. Há a saudade também. A saudade que vem e rega o seu jardim de flores esquecidas pela lembrança. Em sua alma há flores da desordem e da impaciência que ela insiste em observar todas as vezes em que o Sol vem lhe saudar a nova tarde. E toda vez que a Lua lhe acorda, ela recita versos que não rimam, só para ter a certeza de que ainda resta algo a se fazer.
Diz o velho ditado que "depois da tempestade vem a bonança", mas o seu arco-iris há muito desbotou. O céu emudece toda vez que ela chove, e seu coração lhe grita toda vez que sua voz insiste em se calar. Esqueça doce menina... Esqueça das flores que murcharam, dos passarinhos que se mudaram e da árvore que já secou. Esqueça doce criança, dos brinquedos que se quebraram, do afeto que lhe foi roubado, dos contos que se passaram, da chuva que não mais parou.
No entanto, seus olhos secos não demonstram o amargor de teus lábios entreabertos que esboçam um lindo sorriso. O jardineiro veio lhe contar que as novas sementes germinaram e que mais flores estão a se abrir. Vá correndo linda pequena, sim, vá e veja que lindas flores estão a sorrir! Flores de todas as cores... Esperança, alegria, sonhos, fantasia. Tudo o que o céu negro lhe negou. Então faça teu sol se abrir, enxugue a chuva do teu jardim e lance mais versos ao mar. Porque talvez, só talvez, você ainda consiga rimar.


*** Outro texto que me ocorreu do nada. Acho que na verdade tudo o que escrevemos estava desde muito tempo guardado em nosso âmago, mas só se deixa libertar naqueles momentos propícios para isso. Assim como a chuva que só se deixa cair quando é a hora. Este surgiu em um momento de inconstância, tédio e até um pouco de tristeza. Mudo de humor tão constantemente, que chego a me impressionar. Agora mesmo, o relógio marca 01:32 da manhã e eu aqui sem um pingo de sono, porque a dor não me permite dormir.

Laura Ribeiro