"Minha mente está cheia e eu estou transbordando" [Ira!]
"Acho que mais me imagino do que sou, ou o que sou não cabe no que consigo ser." [Ferreira Gullar]
"Quem fala em flor não diz tudo. Quem fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais." [Ferreira Gullar]


- Não importa se é sem sentido, não importa se é sem significado. O importante é que escrevo e assim alivio. Seja bem-vindo ao meu mundo e voe por meus versos! Dê os devidos créditos e assim terá um mundo inteiro de palavras onde viver. Esse é meu mundo e se quiser fazer parte dele é só me seguir...

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14 de outubro de 2012

Então vamos...

Então vamos, meu bem, sair pra dançar, nos ver, beber, amar. A Lua assim, a noite, tão cheia. De risos, piadas, malícias pra dois. Copos de vinho, vazios, no chão. De estrelas, de grama, de roupas, jogadas. Flertes, intrigas, olhares. Furtivos, fugitivos, sedutores. Amores, você, eu. Nós dois. A sós.
Meu bem...

Laura Ribeiro

12 de agosto de 2011

Como num voo a dois...


Como num parque de ferrugens que guarda lembranças por si só, vejo e revejo estes momentos que tanto me felicitam... Ah, como o adoro! Sim, porque somos tão somente nós... Há uma sintonia que nos envolve, que embala nossas noites tão mágicas e irreais.
Os sonhos contigo são os mais doces, e os dias... ah, os dias são sempre os mais alegres. Até nos desencontros nos encontramos depois de certo tempo. 
"Abraços e brigas.." diz a música e nossa vida a dois também! Reconciliar-nos faz tão parte da gente que às vezes até penso que são nossos desentendimentos que nos mostra o quanto nos completamos.
E como numa noite de luar completo, sinto as estrelas de teus lindos olhos pegarem minha alma no colo e abraçarem meus sonhos no espaço de teu mais belo sorriso!
Como num voo a dois.

Laura Ribeiro

31 de julho de 2011

O peregrino

Era um peregrino que por vezes via passar. Ele caminhava solitário, parecendo sempre matutar. Era um lindo menino de mãos dadas consigo mesmo, tão singelo e triste, tão docemente...só! Ele não me via, tampouco sentia, uma dama a lhe observar... Mas encarava eu o teu olhar saudoso de tempestade, chuvoso de saudade. Ah... que majestoso olhar! Misterioso em tua essência, maldoso em inocência, era assim contraditório como o vai e vém do mar. Na noite sempre via o teu apressado e pensativo caminhar. E parecia que a Lua, todas as noites, ele insistia acompanhar. Em uma noite de Lua cheia em que o céu, estrelado, parecia com o vento brincar, vi o peregrino tristonho e teus olhos pareciam chorar. Era de um vazio tão imenso, tortuoso vê-lo assim!
Meu querido, o que tens? Não fujas de mim...
Entretanto ele não pôde me ouvir, e caminhando a esmo, distanciou-se daqui...
Olhei o céu e a Lua parecia chorar, pois tua luz ofuscava-se e ela estava toda a minguar. Nunca mais, o peregrino vi passar...
Onde estás querido? Por que não voltas a caminhar? A Luz está novamente cheia, ansiosa por lhe ver passar. E meus olhos saudosos por te acompanhar.


~ Ao querido Giordano que está sempre por aqui a ler meus singelos escritos... 
Meu querido, lhe ofereço este texto que escrevi há algum tempo, logo após voar por teus ricos versos. Espero que goste... ^^

Laura Ribeiro

7 de março de 2011

Dose de Amor-perfeito

Havia o céu, o mar, o vento, o luar...
Havia teu semblante, teus lábios, teu olhar
Havia teu corpo, ao meu, a se entrelaçar
Havia o teu calor a me aconchegar.

Pela primeira vez me senti assim
Completa, feliz, sem vazio algum em mim.

A Lua lá do alto nos contemplava
O vento corria e nos tocava
Ao mesmo tempo que a melodia do mar nos embalava.

Era nossa cena perfeita
o mar, o céu, a Lua... O chão que fugia a nossos pés
Nada mais importava
Porque era ali que você estava
Com meu coração entre teus dedos
E minutos depois, acalentado rente a teu peito
Oh, doce desejo
Dose de amor-perfeito, com uma pitada de encantamento
Mais um tanto de esperança
Que resulta em meu alento.

Oh doce carícia
Contigo eu me contento
Ainda ouço as melodias
Que vieram com o vento.

Havia o mundo ao nosso redor
Havia uma vida inteira a me esperar
E no entanto nada via ou sentia
Eu apenas queria, no teu embalo deixar me levar...
Não havia mais o mundo
tampouco o inútil existir
Uma vida inteira não me serviria
Pois, sem o teu olhar, não conseguiria sorrir.

"Foi assim que a conheci
Naquele dia junto ao mar
As ondas vinham beijar a praia
O sol brilhava de tanta emoção
Um rosto lindo como o verão
E um beijo aconteceu"

[Hoje A Noite Não Tem Luar - Legião Urbana ♪]

--- Este poema eu fiz no dia 29 de setembro de 2011, na mesma semana em que meu mais doce encanto se realizou. Foi quando finalmente pude ter meu querido comigo... Achei por acaso, vendo aqui as postagens do blog, mas havia ficado apenas como rascunho... Então resolvi postar por achar que deveria, e por querer marcar este escrito tão simplório, mas tão sincero. Foi do âmago de meu ser que estas palavras brotaram e vieram deslizar de meus dedos numa folha de papel. Foi do meu coração que elas puderam resumir-se a: Adoro-te meu Anjo!
É uma pena tal confissão se perder no vago eco da saudade, não?

Laura Ribeiro

11 de fevereiro de 2011

Chove...

Imagem repetida, eu sei.
Chove...
Mas não é só lá fora não, na alma dela também. Dentro há tanta confusão, inconstância e uma pitada de dor azeda pela alegria. Há a saudade também. A saudade que vem e rega o seu jardim de flores esquecidas pela lembrança. Em sua alma há flores da desordem e da impaciência que ela insiste em observar todas as vezes em que o Sol vem lhe saudar a nova tarde. E toda vez que a Lua lhe acorda, ela recita versos que não rimam, só para ter a certeza de que ainda resta algo a se fazer.
Diz o velho ditado que "depois da tempestade vem a bonança", mas o seu arco-iris há muito desbotou. O céu emudece toda vez que ela chove, e seu coração lhe grita toda vez que sua voz insiste em se calar. Esqueça doce menina... Esqueça das flores que murcharam, dos passarinhos que se mudaram e da árvore que já secou. Esqueça doce criança, dos brinquedos que se quebraram, do afeto que lhe foi roubado, dos contos que se passaram, da chuva que não mais parou.
No entanto, seus olhos secos não demonstram o amargor de teus lábios entreabertos que esboçam um lindo sorriso. O jardineiro veio lhe contar que as novas sementes germinaram e que mais flores estão a se abrir. Vá correndo linda pequena, sim, vá e veja que lindas flores estão a sorrir! Flores de todas as cores... Esperança, alegria, sonhos, fantasia. Tudo o que o céu negro lhe negou. Então faça teu sol se abrir, enxugue a chuva do teu jardim e lance mais versos ao mar. Porque talvez, só talvez, você ainda consiga rimar.


*** Outro texto que me ocorreu do nada. Acho que na verdade tudo o que escrevemos estava desde muito tempo guardado em nosso âmago, mas só se deixa libertar naqueles momentos propícios para isso. Assim como a chuva que só se deixa cair quando é a hora. Este surgiu em um momento de inconstância, tédio e até um pouco de tristeza. Mudo de humor tão constantemente, que chego a me impressionar. Agora mesmo, o relógio marca 01:32 da manhã e eu aqui sem um pingo de sono, porque a dor não me permite dormir.

Laura Ribeiro

26 de janeiro de 2011

A promessa e o Adeus... (conto)

Ela estava com as malas e o coração prontos para partir. Estava indo para um lugar distante aonde teria apenas o alvorecer esplendoroso mostrando o astro rei erguendo-se na imensidão avermelhada. Um lugar aonde veria a Lua em sua infinita e cândida beleza... Aonde as estrelas lhe sorririam por serem tão somente juras de amor eterno. Ela estava segura do que sentia por ele, e sabia que ele viria, porque prometera. Ele sempre cumpria suas promessas. Como quando prometeu que largaria sua casa para viver ao lado dela em um lugar distante e paradisíaco. O lugar com o qual sonhava agora.
Passou uma hora. Ele deveria estar preso em alguma discussão com o pai, ela pensou.
Duas horas. Ele ficou preso no trânsito.
...
Cinco horas depois... Já era noite quando ela por fim, desistiu de esperar. Ele não viria. Era tudo mentira e ele não a amava. Talvez fosse tudo apenas uma ilusão, como poderia ser tão tola? Como pôde acreditar em palavras vazias? Ele nunca havia lhe provado seu amor mesmo. Ele era apenas como um outro qualquer, que não cumpria o prometido. Agora, nunca mais teria seu céu de sonhos tão lindo como desejara. Nunca mais teria aqueles olhos negros presos aos seus, porque estava decidida a não olhar mais no fundo deles. Nunca mais teria aquele sorriso encantador, capaz de fazer seu coração parar. Nunca mais...
A Lua tudo via e de longe acompanhava a dor da menina. Pobre apaixonada. Enlouquecida de mágoa. E por isso mesmo... Cegamente enganada. Embora de uma coisa ela estivesse certa.
Na mesma noite, ao chegar em casa, checou a secretária eletrônica e viu que havia dois recados. E decidiu ouvir, talvez fosse ele dando alguma explicação. O primeiro era realmente dele e dizia: "Meu amor, me espere no nosso lugar predileto, estarei lá assim que o Sol se pôr... Quero que saiba que independente do que aconteça eu sempre estarei ao seu lado, e quando não estiver, uma parte de mim estará. Amo você."
Por que ele não fora? Por que havia mentido? Ela pensava. O recado era tão convincente, e quando percebeu lágrimas brotavam de seus olhos e seu peito doía de forma inexplicável. Decidiu ouvir o segundo recado, que não era de seu amado, e sim de uma voz desesperada que dizia: "Sophie, aqui é a Mara, mãe do Paul. Ele estava indo ao seu encontro depois de uma briga com o pai e acabou sofrendo um acidente... Meu filho morreu Sophie... Ele morreu...O nosso Paul... O enterro será amanhã pela manhã, assim que liberarem o corpo, e eu tenho certeza de que ele gostaria de vê-la lá... Encontraram junto ao corpo dele, preso nas ferragens, uma foto sua e atrás dizia 'o meu amor que nunca morrerá'..."
Desespero. Pânico. Dor.

O que fazer? Nunca pensara nessa hipótese. Nunca imaginara sua vida sem o seu amado Paul.
Já no enterro, vendo-o pela última vez ela pensou consigo mesma: "O meu amor... Que nunca morrerá."
E ela tristemente estava certa... Nunca mais teria aqueles olhos negros presos aos seus, porque agora eles estavam presos à escuridão da morte. E nunca mais veria aquele sorriso estonteante, porque ele se perdera na gélida e vazia face que tinha agora. Paul se fora... Mas cumprira o prometido. Deixara uma parte de si com Sophie, pois dentro dela estava a germinar a linda semente do seu amor.


Laura Ribeiro