"Minha mente está cheia e eu estou transbordando" [Ira!]
"Acho que mais me imagino do que sou, ou o que sou não cabe no que consigo ser." [Ferreira Gullar]
"Quem fala em flor não diz tudo. Quem fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais." [Ferreira Gullar]


- Não importa se é sem sentido, não importa se é sem significado. O importante é que escrevo e assim alivio. Seja bem-vindo ao meu mundo e voe por meus versos! Dê os devidos créditos e assim terá um mundo inteiro de palavras onde viver. Esse é meu mundo e se quiser fazer parte dele é só me seguir...

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30 de julho de 2012

O Coração da Fênix - Capítulo V

No último capítulo do conto, Lily encontrara-se com a doce garotinha Lisy, que lhe alertara sobre o perigo, sobre o Anjo negro que estava à espreita e que tinha os mais profanos desejos............ Leia em: O Coração da Fênix - Capítulo IV



Imagem: peguei no Google há muito tempo

CAPÍTULO V - Tentada por um demônio
Aquilo que dizia no carvalho, realmente acontecera, a fenda abrira-se, a menina disse-me que ele saíra da árvore, e que eu era a pessoa para enfrenta-lo. Mas e o meu sangue, que pingado sobre a mais bela rosa azul se transformava num néctar... Não fazia sentido. Esse néctar teria alguma função, mas, que função? E como eu acharia essa rosa? Ao menos nunca vi uma rosa azul que não em desenhos animados ou fotografias, mas levando em consideração os últimos acontecimentos, não seria difícil acreditar que isso pudesse existir... Afinal, eu vira pássaros que renasciam de cinzas, não é mesmo?
Voltando ao grande carvalho no centro da floresta, não avistei nenhuma das aves. Ao entrar na árvore, vi muito sangue e penas por todos os lados... Engraçado se elas renascem das cinzas quando morrem por qual motivo não havia nenhuma sobrevivente? – pensei. Ao chegar ao centro exato da árvore, vi a grande ave caída e fraca. Corri para tentar salva-la, mas quando cheguei, ela apenas soltou um grito e morreu. No mesmo instante suas penas caíram e viraram espinhos. Não segurei as lágrimas que logo despertaram de meus olhos e caíram, ao cair sobre os espinhos da mestra, eles transformaram-se em botões de rosas, e no mesmo instante abriram-se, rosas de todas as cores, vermelhas, amarelas, violetas, cor-de-rosa, até negras e apenas uma, a maior e mais bela, era azul. Então não pensei duas vezes e tirei do bolso aquela pena que a grande mestra me dera, e com o cálamo cortei meu pulso pingando o fluido escarlate que dele escorria sobre a rosa, por incrível que pareça ao filtrar-se pela flor, o sangue ia perdendo a viscosidade e se ia transformando em um líquido puramente fluido e de um tom dourado, era uma espécie de néctar! Então, peguei minha coroa arranquei com dificuldade o Rubi colocando naquele encaixe o néctar que caia cada vez mais. Assustei-me então, com um vulto que passou rapidamente ao meu lado. Ao olhar para trás, fiquei intensamente apavorada, e congelei, ao ver um anjo que tinha um aspecto assustador e um olhar sombrio... Ele tinha nos lábios cortes e seus dentes pontiagudos faziam jorrar sangue.
Era de se imaginar quem fora o responsável pelo massacre das aves.
Olhei para o néctar e resolvi arriscar que era aquilo que matava aquele ser tenebroso. Quando ia em sua direção, ele caiu morto e atrás dele surgiu um anjo magnífico, suas asas eram negras, ele tinha um corpo esbelto e seus olhos eram tentadores, provocantes. A verdadeira flor do pecado. Então eu caminhei em sua direção e peguei o néctar colocando-o em sua boca, e que lábios lindos eram aqueles! A minha vontade era de beija-los naquele exato momento, mas eu não sabia se ele era do bem ou do mal. Não deu tempo de questionar, pois no mesmo momento que coloquei o néctar em seus lábios, ele regurgitou tudo e ainda mais soltou uma risada irônica e com uma voz sedutora me disse:
-         Você acha que seu sangue pode me fazer algum mal? Eu não sou aquele que irá te destruir e sim aquele que irá te possuir, e já possessa será fraca... Não terá condições para lutar.
-         Eu... Não vou deixar você fazer isso, mesmo sendo muito tentador. Eu não vou cometer um erro tão insano! - Disse-lhe.
Ele então saiu da grande árvore, mas não havia derrotado-o.
Extremamente desnorteada, e já quase perdendo os sentidos, percebi que mesmo sem ver, e sem ter percebido, ele já tinha me possuído. Não entrando em meu corpo, mas sim, deixando-me apaixonada!
Quando olhei no espelho eu estava com outro vestido belíssimo, um lindo traje de baile; em minha cabeça estava uma bela coroa, que combinava com o vestido negro e cravejado de rubis.
Ao sair do Carvalho, percebi que não estava mais na floresta e sim num salão de festas. E um homem, ou ser, não tinha forma exata, anunciava a todos que ali estavam:
-         Atenção, com vocês a princesa LILITH!
Assustada e curiosa entrei no salão que era enorme e tinha muitos seres de aparência grotesca. Estavam todos de vermelho. Apenas eu estava de preto com rubis em seu detalhe – aquilo tudo já estava bizarro demais, pensei. Eu não entendia o que estava acontecendo, então aquele anjo veio em minha direção e disse:
-         Bem vinda minha cara futura Rainha! Tu serás minha esposa, por toda a eternidade! Terás o mundo inteiro a teus pés! É só entregar-me teu corpo e aquela pena com a qual feriste teu pulso.
Eu então sabendo que algo de errado estava acontecendo, mas por outro lado tentada a viver com aquele anjo, sabendo que era o mais puro pecado, quase estendi minha mão quando de repente, uma pessoa gritou: Não! Não faça isso. Não entre por um caminho do qual não terá volta!
Ao olhar para trás vi aquela garotinha estranha, que aos prantos me dizia:
-         LILITH não seja insana! Você deve derrota-lo e não aliar-se a ele. Ele te trairá, e ele quer a pena, não entregue, pois ela tem seu sangue, quando cortaste teu pulso ela tragou toda tua energia. E se entregar a ele, ele roubará teu coração que tem o ritmo da lapidação. Você sabe! O ser que se libertou daquela árvore não foi um anjo ou um demônio e sim teu coração, tua alma de Fênix! Agora você é uma delas. Não deixe que ele termine de possuir-te! Não!
Ao terminar de me dizer isso, a garota virou um brilho incandescente e sumiu. Eu então, confusa, sai correndo daquele lugar, mas antes dei um beijo naquele anjo. Ao chegar na escada percebi que algo de errado havia acontecido, ao olhar para trás ele havia tornado se cinzas e todos que ali estavam, não estavam mais. Então, no ar, com letras distorcidas, a frase completou-se:
“O puro néctar de teu sangue apenas despertará o desejo do pecado. Não entregue tua alma, não entregue teu sangue! Numa noite de chuva o espírito da ave de fogo será selado em um coração tão puro quanto o mel, mas que ao apaixonar-se é capaz de cometer as piores insanidades. Não entregue teu sangue a ele. Ele não merece teu amor, porém este será a causa da tua derrota.”
Então entendi... Nada daquilo o derrotaria, se não houvesse amor. Sim! Por que não? Ele caíra por inveja, mas amava o seu Criador, não é isso que dizem os fieis? Entretanto, não. Era loucura, aquilo tudo era loucura. Demônios não amam, só desejam, e ele me desejava ao mesmo tempo em que queria me matar, e comigo talvez não fosse diferente, afinal ele era um Anjo caído, um demônio, mas ainda sim lindo como nunca vi ninguém! E claro, eu nunca fui cega. Amá-lo não seria lá a coisa mais difícil, sempre tive o tal do “dedo podre” pra isso mesmo, só que tudo aquilo não era um romance que se lê por aí, ele não era do tipo bom moço que aceita um beijo e oferece flores. Ele era mais do tipo que quer o corpo de uma mulher e em troca lhe rouba a vida. Comigo não seria diferente, porque aquele beijo nunca mais se repetiria e amá-lo era me arriscar demais. Deliciosamente arriscado demais.


••• Bem, enfim um novo capítulo! Ele estava precisando de alguma emoção e consegui finalmente revisá-lo para postar aqui. O próximo ainda não tem data certa, então, continuem acompanhando!  Obs: para este capítulo dei um título, foi algo que me ocorreu na ora da postagem, não garanto para os próximos.
Laura Ribeiro =)

27 de janeiro de 2012

O Coração da Fênix IV



Ainda desnorteada, sai andando sem rumo na noite escura... Mas acontece que eu andava, andava e sempre voltava ao centro! Estava perdida.
Então ouvi um choro, e decidi segui-lo. Acabei encontrando uma garotinha, de pele branca e cabelos negros, sentada numa árvore caída. Ela estava vestida de branco e como estava de costas pra mim, resolvi falar-lhe já que estava muito escuro e tarde para que uma criança estivesse na floresta sozinha.
Perguntei-la:
- Olá, o que uma pequena garotinha como você faz nessa floresta escura, tarde da noite?

A garota virou a cabeça, e eu acabei levando um susto, ela tinha um aspecto tenebroso, seus olhos eram dois buracos negros e seu rosto estava todo dilacerado, costurado como o de uma boneca de filmes de terror. Ela parecia me olhar e me disse com uma voz doce e aguda:

- Eu vim te matar...

Assustada, eu não tive reação e comecei a rir, dizendo que era brincadeira e uma alucinação tudo aquilo, mas os olhos da garota logo se acenderam em chamas e sua voz alterada me disse:

-         Não zombe de mim!
Logo percebi que realmente era verdade, mas então curiosa perguntei:
-         Mas por que você quer me matar? Qual o seu nome? Quem é você?
E ela me disse:
     -      Eu sou aquela que vive na noite, em busca de um corpo para alojar sua alma. Eu sou aquela que teme a vida mas não a morte, eu sou aquela que é destinada a ser a rainha dos condenados a pagar por seus pecados, mas morri muito cedo.. Por minhas próprias mãos, ao saber dessa minha triste sina.. E pra me livrar dela eu tenho que matar, aquele cujo coração bate no ritmo da lapidação do diamante negro... Essa é a sina que carrego... Sou um anjo negro à procura da salvação.. Prazer, meu nome é Lisi.
Então, assustada eu juntei tudo...
A Fênix apenas queria me proteger, proteger a única pessoa capaz de vencer a maldição daquela cidade, aquela cujo poder destruiria o causador de tantos desastres, mas uma coisa não estava certa, Lisi não era aquela pessoa. Ela apenas queria a sua libertação, e não ser a rainha dos condenados...
Então mais uma vez perguntei-a:
-         Sei que não é você que destruirá todo o mundo, e a quem devo derrotar, mas então quem é? Quem abriu aquela fenda no Carvalho? Quem? Responda-me!?!
A garota então, apagou as chamas dos olhos e pareceu assustada, quando perguntei sobre o Carvalho.. Então ela simplesmente disse-me:
-         Fuja! Fuja enquanto pode! Ele é forte demais, ele toma conta de mim.. Fuja! Fuja! Saia daqui. Não entre no Carvalho ou ele te possuirá também! Fuja LILITH!
Eu fiquei sem reação quando ela disse que meu nome era LILITH.. Como ela sabia? Na verdade, todos me chamavam de Lily, já que eu nunca gostei do meu nome... Então, agora entendia, a garotinha, na verdade não se chamava Lisi, e sim, Lilith (a população religiosa havia mudado seu nome para não pronunciar uma adoração à esposa de Lúcifer), quem quer que fosse, confundiu-a comigo! Mas porque teria possuído-a? Por que a teria feito pular da janela? Será que a alma dela não descansaria enquanto eu não me salvasse?
Todas aquelas perguntas me assustavam, e a pequena garotinha ficou lá parada com uma expressão de desespero. E tentando acalma-la disse:
-         Calma! Eu não tenho medo de morrer... Qualquer que seja a maneira.
-         Não! Você não entende! Não é ele que te mata, mas ele te possui, e faz com que você faça o que ele quer. Eu sei disso porque eu matei meus pais, e eu me joguei da janela, quando percebi, estava na frente dele, e ele disse que não era a mim que queria. E que se eu quisesse me salvar, teria que encontrar a Fênix em corpo de mulher. Aquela cujo coração é a chave de todos os mistérios. E eu teria que matar a sua alma e entrar em teu corpo, levando-te aos aposentos do meu...mestre.
Ao terminar de me dizer isto, ela simplesmente desapareceu.
E eu continuei sem entender o que se passava.  Pareceu-me que dias se passaram e eu ainda naquela floresta, vagando sem rumo, o frio já congelava minha face, e eu ouvia vozes que gritavam por meu nome mas a minha voz não saía, eu gritava mas o som permanecia calado. Por que tudo tinha de acontecer comigo? Tudo bem que minha vida nunca fora das mais normais. Entretanto não precisava ser tão exageradamente estranha assim! Tudo começava a se encaixar ao mesmo tempo em que eu me sentia mais perdida, sozinha e desamparada em toda esta história. E agora, o que poderia fazer? Na negra floresta, cercada de demônios, fantasmas, perturbações místicas e minha própria mente me dizendo que não poderia acreditar em tudo aquilo, que seria apenas um sonho.
E se for realmente um sonho, acho que já passou da hora de acordar...


Depois de um tempão prometendo postar a continuação do conto, enfim o post!
Comentários são bem-vindos!

13 de janeiro de 2012

Amor, deserto e tempestade...

Hoje é a primeira postagem do ano! Não preparei nada em especial... Nenhum texto grandioso, nenhum poema trabalhado cuidadosamente, apenas a esperança de que sonhos se realizem, e que eu tenha força e coragem suficientes para torná-los assim.
Hoje deixo um texto que saiu tão naturalmente de mim, que fiz o favor de não alterar uma palavra sequer... Apresento-lhes: Amor, deserto e tempestade.


Às vezes fico pensando: o que faz um amor se apagar?
Por que um sentimento parece simplesmente deixar de existir de um dia pro outro como se nunca houvesse existido? Como uma tempestade de areia que apenas passa devastando tudo pela frente, mas tudo volta a ser apenas areia, vento, céu e solidão. Vazio... Nada.
É assim que vejo a tempestade devastadora de uma paixão. Dizem que paixão e amor são duas coisas totalmente distintas, e até penso ser assim, mas quando se trata de sentimentos, não pensamos em detalhes e culpamos o amor.
Então talvez um amor não vire simplesmente poeira assim, talvez. Será que ele vai se desvanecendo aos pouquinhos, pedaço por pedaço, assim como a morte de uma grande árvore? Começa pelas folhas aparentemente, é quando a beleza do sentimento que antes havia, passa a não mais existir... E aí a árvore totalmente seca apenas com seus galhos longos e retorcidos vai se deixando levar, até que numa tempestade é levada pelo vento. Tomba no chão. E é o fim. Isso poderia explicar o fato de muitas vezes as lembranças nos atormentarem e demorarmos para chegar ao esquecimento, pois a chuva pode ter levado apenas parte da árvore. Algumas vezes as raízes podem persistir. E ficamos na esperança dela crescer totalmente, mas é como se parasitas atacassem as raízes também, então, nada nos resta. É hora de arrancar tudo, e tentar recuperar o solo. A madeira caída não serve para mais nada além de virar pó... Deserto.
Amor, deserto e tempestade. Três coisas tão distintas, mas que para mim possuem ligações tão metafóricas quanto reais.
Às vezes penso que poderíamos planejar quando nos apaixonaríamos, contudo essa coisa de amor, questionamentos, dúvidas e arrependimentos não teria a menor graça... E se fosse assim, não existiria tudo isso escrito aqui. Não é mesmo?

26 de março de 2011

O Coração da Fênix - Capítulo II

CAPÍTULO II 


Nunca me passara pela cabeça algum tipo de mistério “sobrenatural” desse tipo. E que por incrível coincidência teria algo a ver com o surgimento de uma nova espécie de pássaro. Enquanto estava indo para o local onde descobriram o animal, eu pensava se teria coragem de mostrar aquelas fotos para o reitor da faculdade onde estou me especializando em animais silvestres. Ele poderia me achar uma desequilibrada mental, e as pessoas do meu bairro iriam achar que eu estava possuída por algum tipo de demônio, o pessoal daquela pequena cidadezinha, era muito devoto e para qualquer coisa estranha que vissem achava que era arte do “Demo” – era assim que se dirigiam a ele. “Covil de Satã”, era como chamavam minha casa, apenas por ter ocorrido um assassinato e um suicídio no sótão... Daí surgiram relatos de que à noite aparecia uma criança toda de branco, com cabelos longos, lisos, negros, e um olhar vazio, solitário e frio. Ela ficava sempre olhando pela janela, com os olhos voltados para baixo, e ficava ali parada, com o olhar estático para o Carvalho. Quando cheguei na casa havia um balanço quebrado, disseram-me que era onde aquela pobre criança se balançava com a cabeça baixa e o olhar reto, da mesma forma que ficava na janela. Disseram-me que ela chorava e quando estava perto de amanhecer, entrava na casa e sumia, e logo após se jogava da janela.

Outra história sobre minha casa, é que toda sexta ouvem-se gritos e um estalo de tiro, e logo depois um barulho de vidro quebrado, e durante a noite toda uma pessoa de vestido preto toda ensangüentada fica caída por meio dos cacos de vidro e a janela mantém-se em estilhaços. No outro dia, a janela está perfeitamente bem, mas no chão sempre aparece uma mancha de sangue.
E a origem disso tudo foi uma vez, há muito tempo...

Antes de mim, vivia ali uma família composta de três pessoas, mãe, pai e uma filha. Segundo os antigos moradores, a garotinha era linda, seus olhinhos cor de ébano, sua pele branca e seus cabelos lisos e negros, sempre repartidos ao meio. Uma vez ela viu os pais discutirem e o pai espancou a mãe até a morte, logo depois ele se matou com um tiro na cabeça. Ela desde então, ficava repetindo em sua mente a cena, várias e várias vezes. Uma tia distante, veio cuidar dela, mas a odiava então sempre batia na pobre criança. Um belo dia Lisi (esse era seu nome), sentada em seu balanço no grande carvalho, reparou a fenda que havia em seu interior, então entrou lá e nunca mais saiu. A tia não reparou a sua falta por três dias, mas a vizinhança, reparando que Lisi não ficava mais no seu balanço como todos os dias, viram que a fenda estava completamente fechada e chamaram os bombeiros para abri-la mas não obtiveram sucesso. O carvalho não se deixava cortar, era como se estivesse protegendo algo ou alguém. A tia da menina ficou perturbada quando ao entrar no quarto da garota, viu que todas as bonecas dela haviam sido retalhadas e adquiriram a aparência de um boneco de Vodu, mas apenas uma a preferida da menina não estava na estante, havia desaparecido! A parede do quarto dela de rosa claro passou a ser toda manchada de negro, mas ninguém entendia o porquê...
Até que um belo dia a mulher percebeu um forte cheiro que vinha do sótão. Ela chamou toda vizinhança e eles foram até o local de onde parecia vir aquele forte cheiro de algo podre, ao chegarem lá, todos ficaram espantados ao verem o corpo da menina todo retalhado e sujo de sangue, no pescoço havia uma grande marca roxa, como se ela tivesse sido sugada por algo, e seus olhos tinham sido arrancados, mas não era apenas isso, ela estava com a boneca nas mãos e no lugar dos olhos de sua boneca estavam os olhos dela! Em suas mãos havia cortes de lâmina, como se ela houvesse forçado para marcar algo. Sua roupa que era branca, estava suja de barro e ensanguentada.
Desde esse dia, todos acreditam que a menina se mata pulando a janela, ou então ela fica apenas repassando os últimos instantes de sua vida.
Mas o que mais me intriga, é que quando mudei para cá, a fenda não existia, realmente estava lacrada. O papel da parede estava todo manchado de preto, havia rosas negras secas espalhadas por todos os lados da casa, como se fosse algum tipo de homenagem. Eu nunca ouvi nenhum barulho semelhante ao que diziam por aí, mas também não teria como, pois como estou tendo muito trabalho com essa nova pesquisa e da faculdade também, quando durmo meu sono é muito pesado. Então, não teria como ouvir absolutamente nada.
Tentei distrair meu pensamento que estava apenas voltado para esse boato que se encaixa perfeitamente em todos os relatos e tudo aquilo que vi na árvore. As mãos da menina estavam cortadas por uma lâmina, talvez tivesse sido ela que escreveu tudo aquilo, não em seu estado normal, somente em um estado de plena possessão, já que a garota não saberia escrever tudo aquilo tão bem, pois estava ainda em seu primeiro ano colegial, e depois do desastre em sua família, tinha abandonado os estudos. Então não teria como uma garotinha escrever tudo aquilo que nem mesmo eu consegui decifrar na primeira visão.
Mas também havia a história da mulher de preto que pulava da janela... O que teria ocorrido com ela? Contaram-me que era a tia da garota, que amargurada pela perda da sobrinha, entregara-se ao álcool, e com esse vicio atraíra demônios para si, que obrigaram-na a pular da janela. Entretanto tudo isto não me faz crer nos fatos estranhos, não explica nada, pois é tudo tão sem sentido. Logo eu, tão descrente em coisas do outro mundo, agora tendo de viver dentro de um dos contos de terror mais ridículos que já vi na vida mas que faz todo um sentido se analisado conforme os atuais acontecimentos.
O que mais pode me acontecer?



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O que acham que virá pela frente??
Vocês estão gostando gente? Não tive muito retorno, então não sei o que minha história está provocando por aqui...
Abraços,
Laura Ribeiro.

17 de fevereiro de 2011

Beijo sepulcral

Meu corpo sedento e febril
Esgueira-se neste leito-prisão
Rasteja sobre os lençóis frios
Que arrastam lembranças da solidão
Ainda sinto o gosto amargo de minhas lágrimas
Ainda sinto a dor pulsando em minhas veias
Todo meu corpo dói e flameja
A saudade e a tristeza me saudam
Enquanto a morte vem e me beija...

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- Escrevi isso na terça, quando uma febre me atingiu e um ataque de tosses também. Agora já estou melhor, entretanto ainda estou rouca e cheia de dores. Não sei o que houve, e não houve diagnóstico, pois, sequer fui ao médico. Odeio hospitais.
O fato é que cheguei à conclusão de que minha saúde é como um medidor emocional. Há muito não adoecia devido ao fato de estar radiante e distribuindo sorrisos, no entanto, estes últimos dias me foram difíceis e cheios de confusões sentimentais... Ir para a faculdade, tendo como consequência me mudar para outro estado e deixar minha família aqui, fez com que um abatimento me alcançasse por já sentir saudades, mesmo que eu esteja muitíssimo feliz por realizar um sonho. Problemas amorosos me perseguem e isso é fato, não sei porque ainda insisto. Sabe, o fim não dói tanto afinal... Pelo menos me doeu menos enxergar o fim, do que ter que ir embora justamente quando ele precisa de ajuda... O problema não é eu estar sendo covarde e fugir, mas sim por ele não querer ser ajudado por mim.
O silêncio machuca tanto quanto o seu descaso e suas palavras frias...
Fui obrigada a partir por ainda restar um pouquinho de amor próprio. Talvez egoísmo? Não sei. Só sei que me fui enquanto era tempo. Decidi ir embora enquanto ainda havia apenas boas lembranças, pois, não gostaria de deixar que suas palavras cruéis destruíssem o pouco do afeto que ainda me restou. É tão triste ve-lo se jogar no abismo que existe dentro dele mesmo e não poder pular junto e resgatá-lo da queda, simplesmente por estar já no chão, impossibilitada de voar. Fico por aqui, a febre voltou a queimar-me a fronte e a alma também.
Laura Ribeiro

"Fotografias e algumas memórias vão ter de me ajudar a superar... Oh sim"[A7X - Dear God]
"É melhor esquecer, sei que devo partir / Só me resta dizer Adeus..." [Maysa Monjardim]
 

26 de janeiro de 2011

A promessa e o Adeus... (conto)

Ela estava com as malas e o coração prontos para partir. Estava indo para um lugar distante aonde teria apenas o alvorecer esplendoroso mostrando o astro rei erguendo-se na imensidão avermelhada. Um lugar aonde veria a Lua em sua infinita e cândida beleza... Aonde as estrelas lhe sorririam por serem tão somente juras de amor eterno. Ela estava segura do que sentia por ele, e sabia que ele viria, porque prometera. Ele sempre cumpria suas promessas. Como quando prometeu que largaria sua casa para viver ao lado dela em um lugar distante e paradisíaco. O lugar com o qual sonhava agora.
Passou uma hora. Ele deveria estar preso em alguma discussão com o pai, ela pensou.
Duas horas. Ele ficou preso no trânsito.
...
Cinco horas depois... Já era noite quando ela por fim, desistiu de esperar. Ele não viria. Era tudo mentira e ele não a amava. Talvez fosse tudo apenas uma ilusão, como poderia ser tão tola? Como pôde acreditar em palavras vazias? Ele nunca havia lhe provado seu amor mesmo. Ele era apenas como um outro qualquer, que não cumpria o prometido. Agora, nunca mais teria seu céu de sonhos tão lindo como desejara. Nunca mais teria aqueles olhos negros presos aos seus, porque estava decidida a não olhar mais no fundo deles. Nunca mais teria aquele sorriso encantador, capaz de fazer seu coração parar. Nunca mais...
A Lua tudo via e de longe acompanhava a dor da menina. Pobre apaixonada. Enlouquecida de mágoa. E por isso mesmo... Cegamente enganada. Embora de uma coisa ela estivesse certa.
Na mesma noite, ao chegar em casa, checou a secretária eletrônica e viu que havia dois recados. E decidiu ouvir, talvez fosse ele dando alguma explicação. O primeiro era realmente dele e dizia: "Meu amor, me espere no nosso lugar predileto, estarei lá assim que o Sol se pôr... Quero que saiba que independente do que aconteça eu sempre estarei ao seu lado, e quando não estiver, uma parte de mim estará. Amo você."
Por que ele não fora? Por que havia mentido? Ela pensava. O recado era tão convincente, e quando percebeu lágrimas brotavam de seus olhos e seu peito doía de forma inexplicável. Decidiu ouvir o segundo recado, que não era de seu amado, e sim de uma voz desesperada que dizia: "Sophie, aqui é a Mara, mãe do Paul. Ele estava indo ao seu encontro depois de uma briga com o pai e acabou sofrendo um acidente... Meu filho morreu Sophie... Ele morreu...O nosso Paul... O enterro será amanhã pela manhã, assim que liberarem o corpo, e eu tenho certeza de que ele gostaria de vê-la lá... Encontraram junto ao corpo dele, preso nas ferragens, uma foto sua e atrás dizia 'o meu amor que nunca morrerá'..."
Desespero. Pânico. Dor.

O que fazer? Nunca pensara nessa hipótese. Nunca imaginara sua vida sem o seu amado Paul.
Já no enterro, vendo-o pela última vez ela pensou consigo mesma: "O meu amor... Que nunca morrerá."
E ela tristemente estava certa... Nunca mais teria aqueles olhos negros presos aos seus, porque agora eles estavam presos à escuridão da morte. E nunca mais veria aquele sorriso estonteante, porque ele se perdera na gélida e vazia face que tinha agora. Paul se fora... Mas cumprira o prometido. Deixara uma parte de si com Sophie, pois dentro dela estava a germinar a linda semente do seu amor.


Laura Ribeiro

28 de julho de 2010

Ninguém ouviu seu silêncio

Olhei a Lua e ela estava chorando... E enquanto a via assim, brotaram em meu peito palavras que logo me puseram a escrever. Esses singelos versos que em mim surgiram, são partes do que já me esqueci de recordar. Porque mesmo que o choro não fosse meu, com a Luz me pus a chorar...

4 de abril de 2010

A viúva

Saudações meu caros leitores...
Hoje postarei um texto um tanto diferente daqueles que costumo postar. Esse não fala do amor ingênuo e belo, mas sim, do amor perigoso ao ponto de tornar-se uma intensa paixão perigosa... Talvez nem isso.
Não estranhem, é apenas uma de minhas facetas, a aversão ao sentimento delicado que uma de minhas partes conserva. Talvez um dia entendam, ou não.

16 de outubro de 2009

O Vale Sombrio

Naquele grande vale, vaga uma alma triste.
Alma que há muito se perdera naquele imenso vazio negro e frio... Alma, que havia abandonado um corpo brutalmente ferido e que não mais suportou as agonias e desespero mundanos...

18 de novembro de 2008

Esperando a morte chegar...


Por que meu pulso ainda está sangrando

Se a ferida não mais lateja?

Eu posso sentir a dor se alastrar

4 de novembro de 2008

Sem mais 'delongas'..


Estou sentindo meus ombros pesarem sobre meu corpo..
meu coração apertar-se na própria dor
e meus olhos delatarem com a ardor dos meus pulsos cortados..